domingo, 1 de junho de 2014



 OLDBOY's - Autenticidade e pasteurização.                    

                       

Oldboy (2003) 120min (South Korea)     Oldboy - Dias de Vingança (2013) 104min (USA)
Dir. Chan-wook Park                              Dir. Spike Lee

PASTEURIZAÇÃO
1. S.F. Processo alimentício que elimina os germes.
O alimento é aquecido em um a temperatura de até 100ºC e resfriados imediatamente, eliminando assim as impurezas e germes.
2. Fig. Retirar qualidades artísticas, originalidade (de uma obra) para agradar o grande público.

Quando vi Oldboy (2003) pela primeira vez, me lembro de ter tido um alento, um vento renovador tirou os cabelos de meus olhos. Fazia tempo que estava entediado pela mediocridade de minhas escolhas, e este filme me trouxe um refresh a cinematografia.  Naquela época tinham vários lançamentos em dvd, e vi tudo que pude do cinema coreano.  Virei um fã, descobri outro mestre Kim Ki Duk (Primavera, Verão, Outono, Inverno...E Primavera, Casa VaziaPieta,  TODOS ELES filmes imperdíveis) e ainda acabei viciado em comida coreana.

Me empolga a autenticidade, a simplicidade elaborada, o envolvimento emocional do texto, das imagens, grandes atores, não tem como ficar impune a experiência (a gastronômica também).  Tem uma alma própria, uma discussão emocional, um engajamento artístico e cinematográfico.
Tem culhão!

Quando vi agora, adorei o Oldboy do Spike Lee (um diretor imperdível).  Durante o filme tive lembranças do original, história muito louca e a sensação "Isso tinha no original?" ou "Isso não era assim!!" algumas vezes, mas é um remake "roliudiano"....e vá lá....é um outro filme.

Resolvi rever o original.  Que porrada!  O remake "roliudiano" ficou pequeno, "desadorei" ele imediatamente.

Quando tomamos um copo de leite pasteurizado, desce bem, é ok.  Mas tomando um copo de leite A, o outro fica insosso, sem sabor e medíocre. Foi exatamente o que me aconteceu com estes filmes.

O original tem uma força que é morta no processo de pasteurização, os germes da história são assassinados cruelmente, sua força criativa é dissoluta numa adaptação sem sentido, ou com sentido simplificatório e comercial...sei lá.

Vale ver os dois filmes!  Mas imperdível mesmo é só um deles!














quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

SÉRIE IMPERDÍVEL




 Nada como uma boa série!




















TRUE DETECTIVE - 2014 (HBO)
Realmente as séries estão ganhando força cinematográfica.
Esta série com produção executiva dos atores principais, Woody Harrelson e Matthew McConaughey, é imperdível.  Deixa muito filme no chinelo em apenas um único episódio.  Com qualidade técnica altíssima e complexa, narrativa cinematográfica de planos abertos e tempos mais longos.  Traz o ator Matthew McConaughey em seu maior papel até então.
Não deixem de ver!

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

A BUSCA, uma boa surpresa nas férias.



A BUSCA, 2012 - BRASIL (  abuscaofilme.com.br )
Direção: Luciano Moura ( http://www.imdb.com/name/nm0609931/?ref_=fn_al_nm_1 )
Duração: 96'

Durante minhas férias numa casa de praia, encontrei alguns dvds de títulos nacionais recentes. Pequena amostra do gênero de comédia imbecil tão em voga nos últimos anos (dos 10 filmes nacionais com maior bilheteria de 2013, 08 são comédias com mais de 01 milhão de espectadores).

Sem preconceitos, não vou ao cinema para vê-los.

Não há alma cinematográfica no corpo desse gênero.  Sendo radical  e crente em cultura e arte para um bem maior, vejo a cerimônia sagrada da projeção profanada, anamorfizada numa tvzona.

Tudo bem... há bons filmes nesse ranking também, de outros gêneros, na maioria drama, que competem palmo a palmo pelo topo de bilheteria do cinema nacional.    

Mas deixando esta discussão maior de lado, junto com estes filmes imbecis estava "A Busca".

Ótimo respiro cinematográfico, grande filme, cada peça da obra encaixada com primor. Adorei tudo, principalmente a montagem e o trabalho de som (mesmo numa tv meia boca).

Entrou na minha lista de filmes imperdíveis nacionais.

Premiado no Festival de Cinema do Rio - 2012 pelo voto popular como Melhor Filme Ficção.








  

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

CONFLITO DAS ÁGUAS






















CONFLITO DAS ÁGUAS (TAMBIÉN LA LLUVIA) 2010 - ESPANHA/MÉXICO/FRANÇA - Ficção
Direção: Icíar Bollaín 
Duração: 103min

Outro dia, minha mulher chegou em casa e eu estava acabando de ver o filme Homens de Preto 3 (MIB3).  - "Homens de preto?" ela indagou.
Minha resposta foi quase sincada com a imagem do crédito de roteiro (Screenwriter):
- "O roteiro até que é melhorzinho..." respondi.
E na tela: Ethan Cohen e mais algum fulano...

Paul Laverty apareceu nos meus filmes imperdíveis, por acaso.  Roteirista quase exclusivo do diretor Ken Loach (gostaria de ver todos filmes dele) chamou minha atenção, pela primeira vez, no genial A Procura de Eric.

Neste filme, atipicamente (http://www.imdb.com/name/nm0491956/?ref_=fn_al_nm_1) sem a  direção de Ken Loach,  chamou demais minha atenção para o roteiro.  Quando fui pesquisar quem havia escrito esta obra prima, me deparei com o nome dele...de novo.  Bicampeão.  
Dois roteiros que realmente se destacam dos demais, e me desculpe meu outro ídolo imperdível, o roteirista (destronado) Charlie Kaufman, (http://www.imdb.com/name/nm0442109/?ref_=fn_al_nm_1). 
Filho de uma irlandesa e de um escocês; nascido na Índia; formado em filosofia em Roma, direito em Glascow. Trabalhou com direitos humanos na América Central (Nicarágua, Guatemala, El Salvador em plena guerra civil), antes de chegar ao cinema, ganhando um concurso de roteiros, cujo prêmio era um curso de cinema em Los Angeles.

Seus roteiros, têm uma densidade dramática que me chamou a atenção, nestes dois filmes imperdíveis, citados aqui no blog.

A experiência da projeção cinematográfica, trabalha basicamente com nosso sistema nervoso mais primitivo.  A sala escura, a dimensão gigante, o movimento, o coletivo, traz nesta experiência, neste evento, uma comunicação direta com nosso lado animal.  Ainda com os reforços intencionais na construção (no roteiro) da imagem, como sexo, encantamentos mágicos diversos, o inusitado, violência...se vale do mais baixo diálogo com o Homem espectador.   Daí a facilidade do cinema de vender conceitos, idéias...

Diferentemente, seu texto, sua construção imagética, parte de outros princípios.

Primeiro tem que se dizer que os filmes, A Procura de Eric e Conflito das Águas, são MUITO bem realizados.

No filme  A Procura de Eric,  as narrativas subliminares, são mais dramáticas e emotivas, sem deixar de lado um crueza realista, que acho ótima.  Trabalha com um sub-texto existencialista.  Amor, abandono, amizade, tensão, humor, são trazidos a tona do íntimo do personagem principal, numa facilidade surpreendente.

Não fica preso apenas a busca da criação da ação correta para a cena.  Traz questões e sentimentos universais para as cenas.  Criando um diálogo mais elaborado com nosso sistema nervoso e intelecto. Através de lances, fatos e personagem real do futebol, apresenta questionamentos filosóficos, com humor e  texto sagaz.

Já no filme O Conflito das Águas, as camadas narrativas discutem questões sociais humanas, como a exploração do homem pelo homem.  Tendo como base da história, a produção de um filme, sobre a descoberta da América e a exploração colonial,  durante a explosão de um conflito (fato histórico) na cidade.

Esplêndido.












sexta-feira, 11 de maio de 2012


LUZ NAS TREVAS  2011 - BRASIL - Ficção
Direção: Helena Ignez e Icaro Martins
Duração: 83min


Foi preciso uma senhora dama para chacoalhar o cinema nacional nos dias de hoje.  
Ninguém menos que Helena Ignez (http://pt.wikipedia.org/wiki/Helena_Ignez) e Icaro Martins (http://www.imdb.com/name/nm0554139/), dão um chute na bunda do cinema nacional atual!
Cinema bundinha com maioria de novos diretores, publigerados comprometidos, clichês adictos, com relativo dinheiro e imbecilidade cultural, vide: 2 Coelhos, O Magnata, num rápido exemplo.

Luz nas Trevas, a sombra (e luz) de Sganzerla, sopra um pouco de alento e esperança ao cinema nacional independente.  Com participações de grandes atores e figuras do cinema marginal paulista, traz uma boa lembrança da  força cinematográfica bruta do original. O Bandido da Luz Vermelha, 1968, um marco no cinema nacional, mundialmente famoso e ovacionado por todo grande cineasta que se preze.  Mantém a linha primorosa da montagem primeira de Silvio Reinoldi, o montador honra (ou salva) a camisa de uma nova geração, com talento e exceção. 
Ótimo trabalho de som, fotografia, como que debocham das caríssimas produções medíocres, com perfeição marginal.
Imperdível.

sexta-feira, 30 de março de 2012

INQUIETOS
























INQUIETOS (RESTLESS) 2011 - EUA - Ficção
Direção: Gus Van Sant
Duração: 91min

Acho que todos que gostam, ou tiveram contato, com a literatura, com a  poesia, se lembram de versos que o levaram ao inefável, ao mistério humano, ao desconhecido da existência humana.  Metafísica. Questões universais maiores da condição humana.
Gus Van Sant, um dos meus preferidos diretores, com o imperdível Elefante no currículo, de apuro cinematográfico sensível, traz esta última película que me remeteu de imediato a poesia. Não me pareceu apenas um filme, me colocou um poema audiovisual, letras fotogramas, versos planos, sequências...
De morte, nossa única certeza de existência enquanto ser, com amor de sublime a condição humana de animal, Gus escreve estas imagens, nos versos fotográficos desta história, este poema audiovisual.
Imperdível quanto cinematografia, universal enquanto obra.
Chama atenção o jovem ator, filho de Dennis Hopper, cópia escarrada desse lendário ator, recentemente falecido (2010), em excelente interpretação, com parceria da jovem e talentosa atriz Mia Wasikowska.
Lindo em todos aspectos. Imperdível aos mortais...

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

MEDIANERAS























MEDIANERAS – Argentina – 2011 – Ficção
Direção: Gustavo Taretto
Duração: 95 minutos

Classificado como drama erroneamente pelo IMDB, na minha opinião mais uma comédia romântica além de qualquer generalização. 

Algo me encanta nos filmes argentinos. Primeiramente, quase todos são impecáveis tecnicamente.  Depois, os atores são ótimos, todos tem um tempo bom, talvez uma formação técnica cinematográfica especializada, e não uma escolinha televisiva de caras e tipos como a maioria da formação aqui no Brasil.  Têm uma qualidade diferente.  Combinam com a tela grande.  Os diálogos tembém são ótimos, os quadros, as paisagens, as histórias, pequenas ou grandes….me encantam. Me gustan.

Este filme imperdível tem tudo isto. 

Produção grande e minuciosa.  Roteiro muito bem desenhado, muito bem escrito, com tema trabalhado e dissertado em imagens precisas, de montagem certeira dentro das sequências e no todo final.
Seja a solidão, amor  ou nosso tempo louco.  Discute  nossa sociedade, a globalização, o homem  de hoje, seus sentimentos dentro deste meio tão avassalador e suas consequências cotidianas.   Mais um ponto pro cinema argentino.

Trailer : http://www.imdb.com/video/imdb/vi2189860377/

LARRY CROWNE



LARRY CROWNE – EUA – 2011 – Ficção
Direção: Tom Hanks
Duração: 98 minutos

Um bom filme não tem genêro nem subgênero.  
Tenho preconceito com comédias românticas, mas um bom filme, um filme imperdível, esta além. 
Ótimo roteiro, tudo simples, a história acontece fácil, conduzida por ótimas atuações, em timings perfeitos.  
Não tem como não gostar do filme.  Aula de cinematografia:  bom texto, bons atores, produção enxuta, sem prepotência, truques  com efeitos desnecessários,  ou uma preocupação estritamente comercial aparente.  Bem montado, ótimo som e trilha sonora.

Exemplo de um acerto no mecanismo multisetorizado de uma execução (produção) cinematográfica. 

Leve, divertido, atual.


Trailer :  http://www.imdb.com/video/imdb/vi1973459993/